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Carregando...Entenda o fenômeno 'nem-nem' no Brasil em 2026, seus impactos na carreira jovem e o que pode mudar esse cenário na prática.

Foto: Marta Klement • Fonte
Existe um número que incomoda qualquer pessoa que trabalha com empregabilidade: a quantidade de jovens entre 15 e 29 anos que, neste momento, não estudam, não trabalham e não participam de nenhum programa de formação. No Brasil, esse grupo é chamado informalmente de geração "nem-nem", e ele continua crescendo, ou pelo menos não diminuindo na velocidade que se esperaria.
Não é um problema novo. Mas em 2026, com um mercado de trabalho que se transformou radicalmente nos últimos anos, com novas profissões surgindo e outras desaparecendo, com a inteligência artificial remodelando funções inteiras, esse fenômeno ganhou uma camada de urgência que antes não tinha. Porque agora, ficar parado por um ano pode significar uma defasagem de habilidades que leva muito mais tempo para ser recuperada.
Este artigo tenta entender o problema de dentro pra fora: o que leva um jovem a esse estado, o que o mercado e a educação têm a ver com isso, e o que é possível fazer, tanto individualmente quanto coletivamente.
A expressão é uma tradução direta do inglês NEET (Not in Employment, Education or Training). O IBGE e outras instituições de pesquisa usam esse recorte para medir jovens que estão fora das três principais estruturas de desenvolvimento: emprego formal ou informal, ensino regular ou superior, e cursos de qualificação profissional.
O que a definição não captura, e isso importa, é a diversidade de situações dentro desse grupo. Tem o jovem que saiu do ensino médio sem perspectiva de continuar estudando porque precisa ajudar em casa. Tem o que tentou o mercado de trabalho, não conseguiu, e desanimou. Tem o que está cuidando de um familiar doente. Tem o que perdeu o emprego quando a empresa automatizou o setor. E tem, sim, o que simplesmente não sabe por onde começar.
Tratar todos como se fossem o mesmo perfil é um dos erros mais comuns nas políticas públicas e nas análises de mercado. A solução para quem está desanimado é diferente da solução para quem está sobrecarregado com responsabilidades domésticas.
A resposta fácil seria dizer que é preguiça ou falta de vontade. A resposta real é bem mais complicada, e envolve pelo menos três camadas que se sobrepõem.
Para uma parte significativa desses jovens, estudar ou fazer cursos tem um custo que vai além da mensalidade. Significa abrir mão de uma renda que a família precisa agora. Significa pagar transporte, alimentação, material. Significa não estar disponível para trabalhos informais que sustentam o dia a dia.
O Pronatec, o Bolsa Família, o FIES e outros programas tentaram atacar esse problema com algum sucesso, mas os resultados ainda são irregulares. Há regiões onde o acesso a cursos técnicos gratuitos de qualidade é praticamente zero. E quando o curso existe, nem sempre está alinhado com o que o mercado local contrata.
Há um paradoxo clássico no recrutamento brasileiro: a vaga pede experiência, mas como o jovem vai ter experiência se ninguém o contrata para começar? Isso não é novidade, mas ficou mais agudo nos últimos anos com a automação de funções operacionais que antes serviam como porta de entrada.
Caixas de supermercado, operadores de telemarketing, assistentes de escritório, digitadores: muitas dessas funções foram reduzidas ou eliminadas. E eram exatamente elas que permitiam ao jovem sem qualificação dar o primeiro passo. O mercado de 2026 exige mais habilidades desde o início, e quem não tem acesso à formação fica preso do lado de fora.
Existe um fenômeno psicológico que os pesquisadores chamam de desistência aprendida: quando uma pessoa tenta repetidamente e não consegue, ela para de tentar. Para muitos jovens que estão na condição nem-nem, há uma história de tentativas frustradas por trás. Mandaram currículo e não ouviram nada. Fizeram entrevista e não foram chamados. Começaram um curso e precisaram abandonar.
Esse acúmulo de frustrações cria uma paralisia real. Não é frescura. É um mecanismo de defesa que se torna um obstáculo.
Seria fácil colocar toda a responsabilidade no indivíduo ou no governo. Mas as empresas também têm um papel nessa equação, e em 2026 algumas estão começando a entender isso de forma mais estratégica.
O conceito de contratação baseada em habilidades, em vez de diplomas e histórico de empregos, vem ganhando espaço. Empresas de tecnologia, especialmente, perceberam que um jovem que concluiu um bootcamp intensivo de seis meses pode ser mais produtivo do que alguém com diploma de quatro anos numa área que mudou completamente.
Essa mudança de mentalidade ainda é lenta no Brasil, mas ela existe. Programas de trainee e aprendizagem que antes filtravam por universidade pública ou renomada estão revisando seus critérios. Isso abre espaço, mesmo que gradualmente.
"O problema não é a falta de jovens com potencial. É a falta de estruturas que permitam que esse potencial apareça."
Além disso, o crescimento da economia de plataformas, com aplicativos de entrega, transporte e serviços, absorveu parte desse contingente, mas de uma forma precária. Ser entregador de aplicativo não é, em si, um problema. O problema é quando isso se torna a única alternativa disponível, sem perspectiva de progressão.
O ensino técnico no Brasil viveu um período de expansão com a criação dos Institutos Federais e com programas como o Pronatec. Mas a qualidade é desigual, a distribuição geográfica é injusta, e a conexão com o mercado local nem sempre funciona.
Um jovem que mora numa cidade pequena do interior nordestino pode ter acesso a um curso técnico em agropecuária, mas não encontrar emprego na área localmente. Ou pode querer um curso de tecnologia, mas não ter internet boa o suficiente para acompanhar aulas online. As soluções precisam ser mais granulares do que costumam ser.
Não existe uma solução única. Mas há movimentos que, combinados, podem fazer diferença real.
Para políticas públicas:
Para as empresas:
Para o jovem que está nessa situação agora:
Se você está lendo isso e se reconhece nessa condição, a primeira coisa é entender que sair dela raramente acontece de uma vez. Acontece em passos pequenos e concretos.
Um curso gratuito de curta duração, mesmo que não seja na área dos seus sonhos, pode ser o primeiro movimento. O SENAI, o SENAC, a Coursera com bolsas, a plataforma do Google, a Amazon, a Microsoft, todas oferecem certificações gratuitas ou de baixo custo. Não são milagres, mas são credenciais reais que podem abrir uma conversa numa entrevista.
O currículo também importa mais do que parece. Um jovem sem experiência formal pode incluir trabalhos informais, projetos pessoais, trabalho voluntário, habilidades técnicas e cursos. O erro mais comum é deixar o currículo em branco nesses campos porque "não conta". Conta sim, desde que seja apresentado com honestidade e clareza.
A inteligência artificial está mudando o mercado de trabalho de um jeito que afeta os jovens nem-nem de duas formas opostas.
Por um lado, elimina funções de entrada que antes existiam. Por outro, cria uma demanda enorme por pessoas que saibam usar essas ferramentas, e esse conhecimento pode ser adquirido relativamente rápido, sem diploma universitário.
Um jovem que aprende a usar ferramentas de IA generativa para criar conteúdo, para automatizar tarefas administrativas, para analisar dados básicos, tem uma vantagem real no mercado atual. Não porque é mágico, mas porque muita gente com mais experiência ainda não aprendeu.
Isso não resolve o problema estrutural. Não substitui políticas públicas, não elimina a desigualdade de acesso. Mas para o jovem que tem acesso mínimo à internet e tempo disponível, é uma janela concreta.
O fenômeno nem-nem é, no fundo, um termômetro da qualidade das oportunidades que uma sociedade oferece aos seus jovens. Quando esse número é alto, significa que o sistema está falhando em algum ponto, seja na educação, no mercado, nas redes de apoio ou nas políticas de inclusão.
A boa notícia é que ele não é irreversível. Pessoas saem dessa condição o tempo todo, com apoio certo e oportunidade real. O desafio é garantir que esse apoio e essa oportunidade cheguem a quem mais precisa, não só a quem já tem mais recursos para correr atrás.
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