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Carregando...Perguntas para fazer na entrevista: veja 13 exemplos práticos para avaliar a vaga, evitar ciladas e demonstrar interesse real ao recrutador.
Você chega ao fim da entrevista, o recrutador sorri e pergunta: “Você tem alguma dúvida?”. Muita gente trava nesse momento e responde “não, está tudo claro”, mesmo sem saber direito qual será a rotina, quem será o gestor, como funciona a meta ou se a vaga tem alguma armadilha escondida.
Essa resposta educada pode custar caro. As melhores perguntas para fazer na entrevista ajudam você a mostrar preparo, entender se a oportunidade vale a pena e sair da conversa com informações que não aparecem no anúncio da vaga.
Em 2026, isso ficou ainda mais importante. O mercado formal segue contratando, com 767.326 novos postos com carteira assinada no acumulado do ano até maio, segundo o Novo Caged/MTE. Ao mesmo tempo, empresas relatam dificuldade para contratar: a Robert Half aponta que 84% dos gerentes de contratação têm dificuldade para preencher vagas com talentos qualificados. Ou seja, entrevista não é interrogatório de um lado só. É uma conversa de avaliação mútua.
Essa é uma das perguntas mais fortes porque tira a conversa do genérico. Em vez de perguntar apenas “quais serão minhas atividades?”, você pede uma visão de sucesso em curto prazo.
Ela ajuda a descobrir se a empresa tem clareza sobre a vaga. Se o recrutador responde com metas, entregas e expectativas realistas, bom sinal. Se a resposta vem vaga demais, algo como “a pessoa vai ajudar em várias frentes”, vale investigar melhor.
Também é uma pergunta inteligente na entrevista porque mostra que você já está pensando em desempenho, adaptação e resultado. Para candidatos iniciantes, isso pesa bastante: nem sempre você terá longa experiência, mas pode demonstrar maturidade.
“Para eu entender melhor o impacto da função: quais seriam as prioridades da pessoa contratada nos primeiros 90 dias?”
Se a vaga for em atendimento, por exemplo, a resposta pode revelar volume de chamados, curva de treinamento, metas de satisfação e nível de autonomia. Se for uma área administrativa, pode indicar se você entrará para organizar processos, cobrir demanda atrasada ou apoiar uma expansão.
Poucas perguntas revelam tanto quanto essa. A vaga pode existir por crescimento da área, substituição de alguém, promoção interna, aumento de demanda ou alta rotatividade. Cada cenário conta uma história diferente.
Se a vaga abriu porque a empresa está crescendo, ótimo: você pode perguntar como a área mudou e quais são os planos. Se é substituição, não há problema, mas vale entender o motivo da saída de forma profissional. Se várias pessoas passaram pela função em pouco tempo, acenda o alerta.
A Michael Page aponta que 61% das empresas citam alta rotatividade ou falta de engajamento como desafio de contratação. Por isso, investigar o contexto da vaga não é indiscrição. É cuidado com a própria carreira.
“Essa posição é nova ou surgiu por substituição? Queria entender o contexto da abertura da vaga.”
A pergunta é direta, mas não agressiva. O tom faz diferença. Você não está acusando a empresa de nada, apenas reunindo informação para decidir melhor.
Descrição de vaga costuma ser bonita. Rotina real, nem sempre. Perguntar sobre a semana típica ajuda a sair das palavras amplas, como “dinâmico”, “multidisciplinar” e “mão na massa”, e entender como o trabalho acontece.
Essa pergunta é especialmente útil em setores aquecidos, como Serviços, que gerou 45.655 postos formais em maio de 2026, com destaque para saúde, atividades administrativas, transporte e armazenagem. Em áreas com demanda alta, a rotina pode variar muito: escala, picos de atendimento, urgências, deslocamentos, plantões, metas diárias.
“Como costuma ser uma semana normal para quem ocupa essa posição? Quais tarefas tomam mais tempo?”
Uma boa resposta traz detalhes. Por exemplo: “segunda é fechamento de relatórios, terça e quarta são dias de contato com clientes, quinta temos reunião de acompanhamento”. Uma resposta nebulosa pode indicar que a empresa ainda não estruturou bem a função.

Essa pergunta conversa diretamente com um problema atual do mercado: a falta de profissionais qualificados. No Guia Salarial 2026 da Michael Page, 73% das organizações relatam dificuldade de contratação por falta de qualificação.
Para você, a pergunta tem duas utilidades. Primeiro, ajuda a entender o que realmente será cobrado. Segundo, permite conectar sua experiência ao que a empresa valoriza. Muitas vezes, o anúncio lista dez requisitos, mas três são decisivos.
Se você está no começo da carreira ou mudando de área, também pode descobrir se há espaço para aprendizado. Nem toda lacuna elimina um candidato, mas algumas são inegociáveis.
“Entre todas as competências mencionadas na vaga, quais são as mais críticas para a pessoa performar bem?”
Se o recrutador responder “Excel avançado, comunicação com clientes e organização”, você já sabe onde reforçar sua fala. Pode dizer, por exemplo: “Faz sentido. No meu estágio, eu organizava relatórios semanais e tinha contato direto com fornecedores, então esses dois pontos aparecem bastante na minha experiência.”
Se você ainda está preparando suas respostas principais, vale combinar essa pergunta com um bom roteiro para falar sobre você na entrevista, sem parecer decorado.
Perguntar sobre sucesso é diferente de perguntar só sobre tarefas. Tarefa é o que você faz. Sucesso é como a empresa decide se aquilo foi bem feito.
Essa pergunta ajuda a identificar metas claras, indicadores, expectativas comportamentais e possíveis excessos. Uma vaga pode dizer “atendimento ao cliente”, mas medir sucesso por tempo médio de resposta, nota de satisfação, vendas adicionais ou retenção. Cada métrica muda o trabalho.
“Quais indicadores ou critérios vocês usam para avaliar se a pessoa está indo bem nessa função?”
Se a resposta for “a gente percebe no dia a dia”, investigue com cuidado. Avaliação informal demais pode gerar cobrança confusa. Já uma resposta com critérios objetivos tende a facilitar seu crescimento.
Não basta saber se a vaga é presencial, híbrida ou remota. O que importa é como isso funciona no dia a dia. Híbrido pode significar dois dias fixos no escritório, presença obrigatória em reuniões, mudança conforme demanda ou “híbrido” só no discurso.
Modelos híbridos, digitalização e falta de qualificação estão entre os fatores que moldam o mercado brasileiro em 2026, segundo a Michael Page. Políticas de flexibilidade também avançaram: no 5º Relatório de Transparência Salarial, o Ministério das Mulheres informou que a oferta de jornadas flexíveis nas empresas monitoradas subiu de 40,6% para 53,9%.
“Quando vocês dizem híbrido, como funciona na prática? Há dias fixos, flexibilidade por demanda ou alguma regra específica da área?”
Essa pergunta evita frustração. Muita gente aceita uma vaga imaginando flexibilidade e descobre depois que precisa estar disponível todos os dias para reuniões presenciais de última hora.
Falar de salário não é falta de interesse. É profissionalismo. A própria Michael Page aponta que 58% dos entrevistados veem expectativas salariais acima do orçamento disponível como desafio de contratação. Se esse desalinhamento aparece tarde demais, todo mundo perde tempo.
A pergunta deve incluir salário fixo, variável, bônus, benefícios e política de reajuste quando fizer sentido. Em empresas privadas com 100 ou mais empregados, a Lei nº 14.611/2023 também fortaleceu o debate sobre transparência salarial entre mulheres e homens, com divulgação de informações salariais.
“Vocês já têm uma faixa salarial definida para a posição? E a remuneração inclui algum variável, bônus ou benefício relevante?”
Se o recrutador devolver com “qual sua pretensão?”, responda com uma faixa coerente e pergunte se está alinhada ao orçamento. Evite transformar a conversa em queda de braço. O objetivo é clareza.
Essa pergunta é básica, mas muita gente deixa para depois e se arrepende. No Brasil, a informalidade ainda pesa: no 1º trimestre de 2026, a taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada, segundo o IBGE. Mesmo em vagas formais, jornada e horas extras precisam estar claras.
Pergunte sobre tipo de contrato, horário, escala, intervalo, banco de horas, política de horas extras e necessidade de disponibilidade fora do expediente. Se a vaga envolve atendimento, logística, saúde, eventos ou operação, essa conversa é ainda mais importante.
“Só para entender as condições da posição: o contrato é CLT? Como funciona a jornada, banco de horas e eventuais horas extras?”
Não é uma pergunta “chata”. É uma pergunta adulta. E, se o processo avançar, você também pode se preparar para etapas burocráticas como o exame admissional, que costuma gerar dúvidas em quem está entrando ou voltando ao mercado formal.

Você não trabalha só para uma empresa. Na prática, trabalha com uma liderança específica, com um jeito de cobrar, orientar, decidir e dar feedback. Essa relação pode facilitar seu crescimento ou tornar a rotina pesada.
Habilidades comportamentais ganharam peso em 2026. A Michael Page destaca resiliência, comunicação, pensamento crítico e empatia como ativos relevantes. Por isso, perguntar sobre liderança e comportamentos valorizados não é detalhe subjetivo. É parte da análise da vaga.
“Como você descreveria o estilo de liderança da pessoa gestora dessa área? Ela costuma acompanhar de perto, dar autonomia, fazer reuniões frequentes?”
Se a próxima etapa for com o gestor, adapte a pergunta: “Como você prefere acompanhar o trabalho da equipe?”. Para se preparar melhor, veja também como conduzir uma entrevista com gestor, já que essa conversa costuma ser mais técnica e mais reveladora.
Essa pergunta ficou mais objetiva em 2026. A Fundacentro lançou diretrizes para aplicação da NR-1 com inclusão dos riscos psicossociais, e o manual do MTE trata esses fatores no gerenciamento de riscos ocupacionais. Em português simples: organização do trabalho, sobrecarga, assédio, pressão e saúde mental entraram de vez no radar de gestão.
Você não precisa perguntar de forma pesada. Dá para investigar com naturalidade: frequência de urgências, metas, apoio da liderança, canais de denúncia, rituais de priorização e equilíbrio entre demanda e equipe.
“Como a área costuma lidar com períodos de maior pressão ou urgências? Existem combinados para priorização e equilíbrio de carga?”
Observe não só a resposta, mas a reação. Se o entrevistador se incomoda demais com a pergunta, minimiza tudo ou romantiza sobrecarga, vale considerar esse sinal.
Nem toda vaga precisa ser o emprego dos sonhos, mas ela deve levar você para algum lugar. Perguntar sobre desenvolvimento ajuda a entender se a empresa treina, promove, movimenta pessoas ou apenas contrata para apagar incêndio.
O LinkedIn aponta aumento anual de 6% na mobilidade interna no Brasil, sinal de que mais empresas estão olhando para retenção e crescimento interno. Isso não garante promoção para ninguém, mas torna a pergunta bastante pertinente.
“Existem exemplos recentes de pessoas que cresceram ou mudaram de área a partir dessa posição?”
Essa formulação é melhor do que perguntar “tem plano de carreira?”, porque pede evidência. Uma empresa pode ter um documento bonito e pouca prática. Exemplos recentes mostram se o discurso acontece.
A pergunta não é só para vagas de tecnologia. IA generativa, automação e ferramentas digitais já aparecem em rotinas administrativas, atendimento, marketing, RH, vendas, finanças e operações. Segundo o LinkedIn Brasil, 9 em cada 10 executivos brasileiros acreditam que a IA generativa pode ajudar funcionários de ao menos uma maneira, especialmente economizando tempo em tarefas repetitivas e aumentando produtividade.
Perguntar sobre isso mostra visão de futuro. Também ajuda você a entender se a função será mais operacional, analítica, estratégica ou uma mistura das três.
“Quais ferramentas a equipe usa no dia a dia? A empresa já utiliza IA ou automação em alguma parte do trabalho?”
Se você tem certificados ou cursos relacionados, esse é um bom gancho para mencionar. Em 2026, comprovar qualificação pode fazer diferença, principalmente quando certificados viram filtro na vaga.

Essa é a pergunta final clássica, mas não deve ser feita de qualquer jeito. Ela mostra organização e reduz ansiedade depois da entrevista. Você descobre se haverá teste, entrevista técnica, conversa com gestor, checagem de referências ou prazo de retorno.
Também ajuda a calibrar sua postura. Se o processo terá mais etapas, você pode se preparar melhor. Se o retorno demora, você não fica refém do silêncio e pode seguir avaliando outras oportunidades.
“Quais são os próximos passos do processo e qual prazo aproximado para retorno?”
Se quiser fechar com elegância, acrescente uma frase curta de interesse real: “Gostei de entender a posição e sigo interessado, principalmente pelo desafio de organizar os processos da área.” Seja específico. Interesse genérico soa automático.
Você não precisa levar uma lista enorme e ler tudo no fim. O ideal é selecionar perguntas conforme a etapa do processo e o que já foi respondido ao longo da conversa.
Uma forma prática:
Também vale adaptar a pergunta ao nível da vaga. Para estágio ou primeiro emprego, foque em treinamento, supervisão e aprendizado. Para uma posição plena, fale mais de autonomia, indicadores e prioridades. Para liderança, pergunte sobre time, orçamento, metas e poder de decisão.
Algumas dúvidas são legítimas, mas podem soar mal se aparecerem cedo demais ou com tom errado. O problema nem sempre é o tema, e sim a formulação.
Evite abrir a conversa com:
Você pode perguntar quase tudo, desde que traduza a dúvida para uma linguagem profissional. Veja a diferença:
Antes: “É muito puxado?”
Depois: “Como a equipe lida com períodos de maior demanda e priorização de tarefas?”
Antes: “Vocês demitem muito?”
Depois: “Como tem sido o histórico de permanência da equipe e quais são os principais desafios de retenção?”
Antes: “Dá para fazer home office quando eu quiser?”
Depois: “Como funciona a política de flexibilidade e quais combinados a equipe segue?”
Esse cuidado protege sua imagem sem fazer você engolir dúvidas importantes. Perguntas ao final da entrevista não servem para agradar o recrutador. Servem para tomar uma decisão melhor.
Se você costuma travar, leve um roteiro curto. Não precisa decorar palavra por palavra. Use como apoio.
“Tenho algumas perguntas, sim. A primeira é sobre as prioridades da pessoa contratada nos primeiros 90 dias. Também queria entender como vocês medem sucesso nessa função e como funciona o modelo de trabalho na prática. Por fim, queria confirmar os próximos passos do processo.”
Esse roteiro cobre quatro pontos centrais: expectativa, avaliação, rotina e processo. Se o entrevistador já respondeu algum deles, troque por salário, liderança, contrato ou desenvolvimento.
Feche agradecendo de forma objetiva:
“Obrigado pelas explicações. A conversa me ajudou a entender melhor o desafio e sigo interessado na oportunidade.”
Simples, profissional e sem exagero.
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